<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8486594831785070362</id><updated>2011-12-19T14:55:58.247-02:00</updated><title type='text'>NO FIO DA NAVALHA</title><subtitle type='html'>SEMEANDO A DÚVIDA</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://noxfioxdaxnavalha.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486594831785070362/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noxfioxdaxnavalha.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Eduardo Navarrete</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01464280959156585941</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3TW4mg3des4/TOtSUi_NUiI/AAAAAAAAANQ/0AgO3ndMFjQ/S220/y7777.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>8</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8486594831785070362.post-4375336559373738113</id><published>2011-12-18T17:59:00.011-02:00</published><updated>2011-12-19T00:52:44.268-02:00</updated><title type='text'>TRAGÉDIA DO POVO</title><content type='html'>&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: right;"&gt;
&lt;i&gt;"O que eu finalmente mais sei sobre a moral e as obrigações do
homem devo ao futebol..."&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;
Albert Camus&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
"O Futebol é o ópio do povo." A
frase é velha e gasta. Ela foi e é proferida &lt;i&gt;ad nauseam&lt;/i&gt; por&amp;nbsp;gente metida a politizada, gente&amp;nbsp;que
acredita tolamente que tudo na vida foi concebido pela terrível e maligna
burguesia para ludibriar os pobrezinhos inocentes e coitados... Maniqueísmo,
simplismo e reducionismo dos brabos! O futebol não existe só pra manter o povo
politicamente "dopado". Pois não é só a ralé que se entrega ao rito
domingueiro. No Brasil, o esporte é cultuado por nossos esfarrapados tanto
quanto por nossos homens e mulheres de escol. E não é só no terceiro mundo que
ele é venerado: espanhóis, italianos, ingleses, etc., talvez o apreciem mais do
que nós. Em todos os pontos da escala social e global ele encontra seus
ardorosos fiéis. E não é pra menos! O futebol é um espetáculo onde figura a
própria Vida (com V maiúsculo!), e só encontra paralelo no teatro trágico
dos gregos. Nos estádios, ante o furor das torcidas, tal como ocorria nos
palcos da Atenas antiga, está em cena a luta agonística pra suplantar os
demais, o destino inescapável que tritura as existências e, sobretudo, a sua
marca distintiva: a injustiça fatal e sem razão que governa os resultados. É o
imponderável rodriguiano! São as Moiras, Deusas cegas e irascíveis, que
"tecem" as partidas e apontam campeões e derrotados... A vida decidida
no bico da chuteira. Há toda uma sabedoria da bola, uma filosofia dos gramados,
que escapa aos espíritos mais obtusos, aqueles miseravelmente preocupados com
coisas que sejam úteis e que façam sentido - o tipo de gente que diz que é
"absurdo um bando homens correndo atrás de uma bola", como se não
fosse absurdo o fato de estarmos vivos, como se não fosse absurdo fazer tudo o
que fazemos na vida.&amp;nbsp;"Futebol é inteligência em movimento",
disse o grande filósofo, que também tinha sido goleiro, Albert Camus. O&lt;span style="color: red;"&gt; &lt;/span&gt;povo não é distraído
ou entorpecido por aquele bailado insano de chutes; ele não fica cego à realidade
(que, acredita-se, seria acessível apenas aos sabichões que pensam não terem se
deixado seduzir pelos sortilégios dos gols) somente por contemplar semanalmente
o duelo de onze contra onze. O povo, antes, é educado pela bola do mesmo modo
que os gregos eram educados pela tragédia. Pedagogia trágica e mítica, o
futebol, como a arte (aliás, se tomássemos aquele lugar-comum como verdade teríamos
de considerar toda forma de arte como um ópio, sobretudo, a música, que também extasia as multidões), traz ensinamentos sutis, não daqueles expressos por
palavras e por teorizações racionalistas, mas daqueles outros, que calam fundo
no coração, justamente porque se exprimem de maneira ritual &amp;nbsp;Seja como catarse aristotélica, onde os
sentimentos são purgados, seja como um enrobustecimento frente ao artístico de
que fala Nietzsche, o esporte mais badalado do mundo cumpre uma função psíquica
e filosófica similar à das, também trágicas, touradas e gladiatura: ministrando
as lições da glória e do fracasso, ele nos põe a par do horror da gratuidade e
da crueldade inexorável da existência. O futebol fortalece e enobrece a alma!&lt;br /&gt;
... Quando ouço aquela ladainha entoada
pelos pedantes especializados em protestinhos baratos, penso se, ao invés do
futebol, não sejam certas doutrinas e filosofias caducas os verdadeiros ópios
que põem o povo em torpor.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8486594831785070362-4375336559373738113?l=noxfioxdaxnavalha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noxfioxdaxnavalha.blogspot.com/feeds/4375336559373738113/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8486594831785070362&amp;postID=4375336559373738113&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486594831785070362/posts/default/4375336559373738113'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486594831785070362/posts/default/4375336559373738113'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noxfioxdaxnavalha.blogspot.com/2011/12/tragedia-do-povo_1740.html' title='TRAGÉDIA DO POVO'/><author><name>Eduardo Navarrete</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01464280959156585941</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3TW4mg3des4/TOtSUi_NUiI/AAAAAAAAANQ/0AgO3ndMFjQ/S220/y7777.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8486594831785070362.post-4099432118479335072</id><published>2011-03-20T03:02:00.001-03:00</published><updated>2011-03-20T03:14:10.873-03:00</updated><title type='text'>DISFARCES</title><content type='html'>&lt;br /&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="https://lh4.googleusercontent.com/-Xtacl_rcJgQ/TYWX5RN5SZI/AAAAAAAAAN4/pjTVyKOlQE8/s1600/56.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="https://lh4.googleusercontent.com/-Xtacl_rcJgQ/TYWX5RN5SZI/AAAAAAAAAN4/pjTVyKOlQE8/s200/56.jpg" width="165" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: left;"&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;
... É fato corrente. Basta um
olhar um pouco mais apurado para notar: as virtudes e qualidades mais
ostensivamente expostas são os disfarces (espontâneos, inconscientes,
automáticos) para os vícios e os defeitos que justamente lhes correspondem. A
generosidade, por exemplo. Quando manifestada de maneira ruidosa, não passa de
uma máscara construída para dissimular o mais arraigado dos egoísmos.
Envergonhado, criticado em função de seu vício, o indivíduo egoísta arma-se de
boas ações, adota um discurso entusiasta da pureza e da benevolência e exibe-os
como pode. E nessa ostentação os pavões da bondade traem-se e deixam entrever
aquilo precisamente que cuidaram para esconder. O movimento contrário também
não é incomum: o egoísmo, que por muitos é tomado por virtude, é, em muitos
casos, a roupagem exibicionista usada por uma inocência que não se aceita. O
inocente, provocado e diminuído, sente a necessidade de encobrir esse traço
visível da sua personalidade e esmera-se em atitudes que expressam, de maneira
gritante, uma preocupação exclusiva consigo mesmo e um desprezo forçado pelos
outros. Assume, contra sua “natureza”, uma malícia que não é dele, artificial.
A autoconfiança, do mesmo modo, se anunciada aos quatro ventos, certamente
corresponde à camuflagem de uma insegurança orgulhosa. O inseguro cioso de sua
própria dignidade disfarça seu humilhante defeito empertigando-se em uma
postura altiva, em um comportamento soberbo. Não se passa outra coisa com a
extroversão exagerada.&amp;nbsp; Quase sempre ela
vela uma timidez sofrida. Cansado das limitações que a vida lhe impõe, o tímido
traveste sua falha de conduta com uma expansividade simulada, compondo gestos
vistosos que não visam outra coisa se não ocultar seu constante embaraço. “&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Dentro de cada Elke Maravilha existe um
tímido tentando se esconder&lt;/i&gt;”, já observara Luis Fernando Veríssimo. A
aflição do acanhamento conduz, assim, a um arremedo de desinibição. Os casos e
exemplos são inumeráveis e devem nos pôr de sobreaviso. Que não nos enganemos:
o alardear de uma virtude, uma qualidade, ou, quem sabe até, de um estado
emocional (a felicidade, por exemplo), é o atestado inconfundível da sua
ausência e da sua adoção postiça. É provável até, que aquele que real e
naturalmente possua uma virtude jamais a ostente; acredita-se, ao contrário,
corrompido pelo vício oposto, como o generoso, que faz muito pelos outros, mas
que, através das lentes da generosidade, vê &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;esse
muito como pouco&lt;/i&gt;, tomando-se por o mais sórdidos dos egoístas. O indivíduo
nunca é transparente; opaco, ele requer que identifiquemos seus disfarces.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8486594831785070362-4099432118479335072?l=noxfioxdaxnavalha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noxfioxdaxnavalha.blogspot.com/feeds/4099432118479335072/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8486594831785070362&amp;postID=4099432118479335072&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486594831785070362/posts/default/4099432118479335072'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486594831785070362/posts/default/4099432118479335072'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noxfioxdaxnavalha.blogspot.com/2011/03/disfarces.html' title='DISFARCES'/><author><name>Eduardo Navarrete</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01464280959156585941</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3TW4mg3des4/TOtSUi_NUiI/AAAAAAAAANQ/0AgO3ndMFjQ/S220/y7777.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh4.googleusercontent.com/-Xtacl_rcJgQ/TYWX5RN5SZI/AAAAAAAAAN4/pjTVyKOlQE8/s72-c/56.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8486594831785070362.post-8222686399227834429</id><published>2010-11-04T04:15:00.001-02:00</published><updated>2010-11-23T03:22:18.065-02:00</updated><title type='text'>CETICISMO CONTEMPORÂNEO</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_3TW4mg3des4/TNJPoUg5zaI/AAAAAAAAANI/InEWIKlCOR8/s1600/258.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 134px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_3TW4mg3des4/TNJPoUg5zaI/AAAAAAAAANI/InEWIKlCOR8/s200/258.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5535574446111837602" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Há uma diferença fundamental entre o ceticismo contemporâneo e aquele outro ceticismo nascido e desenvolvido com a modernidade. Tributária do racionalismo grego clássico, a postura cética consolidada com as revoluções burguesas pôs em suspeição e descrédito somente as matrizes explicativas dominantes da época, ou seja, a fé e a religião. Tomadas como obscuras formas de conhecimento, elas foram vistas apenas como produtoras de crendices e superstições, as quais careciam de análises comprobatórias e conduziam ilusões e erros. Para os céticos racionalistas, somente o saber racional – único confiável – poderia atingir a verdade e, através da manipulação e controle da realidade, levar o homem ao caminho do bem ou, nas palavras da época, ao progresso. Tratava-se de um movimento que, supondo a exclusão entre fé e racionalidade, matou de maneira impiedosa o fantasioso Deus para pôr em seu trono a iluminadora, soberana e, agora, legitima doadora de sentido pra vida humana, razão. Tal ceticismo foi ficcionalizado por Ivan Turgueniev, em seu romance Pais e Filhos, no personagem Bazarov – homem utilitarista, devotado à ciência, particularmente à biologia, desprezador das vãs convenções aristocráticas e das tolas crenças do povo, além de negador do valor da arte e do amor, mesmo tendo sucumbido ao seu poder. Mais radical e extremo, o ceticismo do que se convencionou chamar de pós-modernidade, por sua vez, não limita a suspensão do seu juízo à fé e à religião. Sua descrença, muito mais ampla que a dos homens das Luzes, atinge também a até então divinizada razão. Aos olhos dos céticos contemporâneos, o conhecimento racional se revelou falível em sua ambição de verdade, uma vez que ele é parcial, concebido a partir de uma perspectiva limitada, e, ao mesmo tempo, se mostrou incapaz de gerar o idealizado progresso, trazendo, ao contrário, uma série de desastres – monstros que a razão, mesmo desperta, e não apenas adormecida como no quadro de Goya, foi capaz de conceber (duas guerras mundiais, holocausto, totalitarismos, bombas atômicas, degradação ambiental, etc.). Em uma era de verdades destroçadas e utopias mortas emerge, assim, uma espécie de ceticismo iconoclasta, irracionalista, obscurantista, um niilismo absoluto que dilui a diferença entre fé e racionalidade afirmando sua equivalência, uma incredulidade tal que, mal terminado o sepultamento de Deus, tratou de assassinar aquela que foi posta em seu lugar. O filósofo romeno Emil Cioran talvez seja maior expressão dessa nova postura. Chamado de a hiena pessimista, esse pensador desenganado, para quem “a lucidez completa é o nada”, desmistificou tanto a fé como a razão, vendo ambas como delírios desprovido de objetividade, produzidos pela sede Absoluto inerente ao homem. Entre o oitocentista Bazarov e o contemporâneo Cioran, entre o ceticismo moderno e o atual, há, portanto, uma distância irredutível: enquanto para os primeiros havia um porto seguro onde ancorar a existência, para os outros, a vida repousa sobre nada. Pois se os modernos encontraram uma substituta para a fé, os pós-modernos ainda não encontraram para a razão. O trono da dinastia dos Absolutos encontra-se vago. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;i&gt;
&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;* A gravura acima – O sono da razão produz monstros – é do espanhol Francisco de Goya. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8486594831785070362-8222686399227834429?l=noxfioxdaxnavalha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noxfioxdaxnavalha.blogspot.com/feeds/8222686399227834429/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8486594831785070362&amp;postID=8222686399227834429&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486594831785070362/posts/default/8222686399227834429'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486594831785070362/posts/default/8222686399227834429'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noxfioxdaxnavalha.blogspot.com/2010/11/ceticismo-contemporaneo.html' title='CETICISMO CONTEMPORÂNEO'/><author><name>Eduardo Navarrete</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01464280959156585941</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3TW4mg3des4/TOtSUi_NUiI/AAAAAAAAANQ/0AgO3ndMFjQ/S220/y7777.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_3TW4mg3des4/TNJPoUg5zaI/AAAAAAAAANI/InEWIKlCOR8/s72-c/258.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8486594831785070362.post-6605685111268146863</id><published>2010-02-20T16:28:00.000-02:00</published><updated>2010-10-30T00:48:51.168-02:00</updated><title type='text'>A BONDADE DE DORIAN GRAY</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_3TW4mg3des4/TMuHaTRZVRI/AAAAAAAAAMw/XDZyWJbx-94/s1600/242.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 150px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_3TW4mg3des4/TMuHaTRZVRI/AAAAAAAAAMw/XDZyWJbx-94/s200/242.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5533665453074371858" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: justify;font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;Depois de ter perpetrado inúmeras perversidades em busca de novos prazeres e sensações, e depois de ser aturdido pelos tormentos do remorso e da culpa ao ver que, por um poder mágico, a cada ato que cometia, seu retrato estampava traços reveladores de sua maldade (“&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;um laivo de crueldade na boca&lt;/i&gt;”, mancha vermelha na mão, etc.), Dorian Gray decide, já ao fim do romance, adotar uma nova posição face à vida: opta por abandonar os “&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;atos terríveis&lt;/i&gt;” que praticara, bem como a amoralidade e o cinismo que os justificavam, para dedicar-se ao bem, às “&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;boas ações&lt;/i&gt;”, à atividade filantrópica. É então que seu retrato, o qual funciona na trama como um espelho lúcido de sua consciência, lhe faz uma nova e mais aterradora revelação. Quando pratica o que considera sua primeira boa ação, Dorian Gray vai até o quarto sujo e abandonado onde escondera a pintura para olhá-la, na esperança de que novos sinais mais agradáveis aparecessem no desenho de seu belo rosto, ou, pelo menos, que desaparecessem os malditos “&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;traços do mal&lt;/i&gt;”. Porém, para sua surpresa e desespero, “&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;não havia nenhuma modificação, a não ser nos olhos, que tinham uma expressão de astúcia, e na boca, que se apresentava repuxada por uma ruga de hipocrisia&lt;/i&gt;”. Sim, o retrato/consciência lançava-lhe na cara, literalmente, que seu ato bom, assim com sua recente resolução de praticar o bem, não passava da mais pura vaidade e hipocrisia. A bondade aparece a Dorian Gray como um ludíbrio de si mesmo e dos outros, onde, sob o pretexto de ajudar o próximo, procura-se somente conquistar e se pavonear com a fama de benfeitor, além de apaziguar uma consciência culpada. Portanto, é ainda o inescapável egoísmo que continua movendo-o, e o &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;outro &lt;/i&gt;continua sendo, a seus olhos, um meio e não um fim. Sem poder suportar o peso dessas revelações, sem poder aceitar os remorsos de uma atitude cínica ou a hipocrisia da filantropia, Dorian Gray tenta destruir seu retrato, o que equivale, para ele, a destruir a própria consciência. Mas, em um desfecho enigmático, é ele quem morre, enquanto o retrato permanece intacto, agora, sem os sinais do mal.&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8486594831785070362-6605685111268146863?l=noxfioxdaxnavalha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noxfioxdaxnavalha.blogspot.com/feeds/6605685111268146863/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8486594831785070362&amp;postID=6605685111268146863&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486594831785070362/posts/default/6605685111268146863'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486594831785070362/posts/default/6605685111268146863'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noxfioxdaxnavalha.blogspot.com/2010/02/bondade-de-dorian-gray.html' title='A BONDADE DE DORIAN GRAY'/><author><name>Eduardo Navarrete</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01464280959156585941</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3TW4mg3des4/TOtSUi_NUiI/AAAAAAAAANQ/0AgO3ndMFjQ/S220/y7777.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_3TW4mg3des4/TMuHaTRZVRI/AAAAAAAAAMw/XDZyWJbx-94/s72-c/242.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8486594831785070362.post-3267887181530243214</id><published>2009-11-23T00:55:00.000-02:00</published><updated>2009-11-23T00:59:01.749-02:00</updated><title type='text'>O VÍCIO DE CRER</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não é tanto a mentira que se considera um vício moral; não é tanto ela que tudo fazemos pra evitar. Mais do que mentir, o ato que realmente repudiamos e receamos é crer. É a credulidade, e não tanto a mentira, que temos na conta de moralmente condenável. Quando tomamos conhecimento de algum engano sofrido por alguém, não é sobre o enganador, o criador do embuste, que recaem nossas censuras; não é sobre ele que lançamos nossas invectivas; não é ele o vilão a ser execrado. Ao contrário, é para o enganado, para a vítima do logro, que direcionamos nosso olhar condenador. É ele que, ao acreditar, ao se deixar enredar nas teias da trapaça, incorreu em erro; é ele que procedeu de maneira má; ao passo que o enganador, traiçoeiro e velhaco, este, por sua vez, apenas fez o que se considera normal que se faça, apenas fez aquilo que tem de necessariamente ser feito, de modo que está imune, a salvo de toda crítica moral. Em tempos em que, como já foi dito, os homens são lobos uns dos outros, não é a tendência para enganar, mas a disposição em acreditar no outro – que pejorativamente denominamos de ingenuidade – que é uma perversão ética (O protagonista de O Idiota de Dostoiévski não recebeu tal alcunha e não era espezinhado por outro motivo). O dolo, o ardil, em contrapartida, aparece sob a respeitável e moralmente louvável veste da astúcia, da esperteza. Em poucas palavras, e levando a idéia ao extremo, nossa ética postula que mau é aquele que crê e não aquele que mente. Basta, para comprovar, notar o orgulho daquele que enganou em contraste com a vergonha daquele que foi enganado. Longe estão os tempos em que a palavra dada tinha o peso de um juramento inquebrantável e que a lealdade era um valor tão rígido ao qual quem descumprisse caia em desonra, recebendo a marca de covarde e traidor. Hoje o que é dito pode ser desmentido, o que é prometido pode ser descumprido e o que o jurado pode ser perjurado, tudo sem maiores dificuldades e sem grande prejuízo moral para quem o faz. Em nosso mundo a mentira ganhou legitimidade, foi autorizada, e não nos é recomendado outra coisa a não ser desacreditar... Descrer tornou-se um imperativo moral.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8486594831785070362-3267887181530243214?l=noxfioxdaxnavalha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noxfioxdaxnavalha.blogspot.com/feeds/3267887181530243214/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8486594831785070362&amp;postID=3267887181530243214&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486594831785070362/posts/default/3267887181530243214'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486594831785070362/posts/default/3267887181530243214'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noxfioxdaxnavalha.blogspot.com/2009/11/o-vicio-de-crer.html' title='O VÍCIO DE CRER'/><author><name>Eduardo Navarrete</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01464280959156585941</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3TW4mg3des4/TOtSUi_NUiI/AAAAAAAAANQ/0AgO3ndMFjQ/S220/y7777.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8486594831785070362.post-4138915062491348276</id><published>2009-06-24T01:39:00.000-03:00</published><updated>2009-06-24T02:12:07.926-03:00</updated><title type='text'>PERDIÇÃO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_3TW4mg3des4/SkGvU-M1DFI/AAAAAAAAAFw/Ul9613AaDEo/s1600-h/110.gif"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 74px; FLOAT: left; HEIGHT: 79px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5350750607121910866" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_3TW4mg3des4/SkGvU-M1DFI/AAAAAAAAAFw/Ul9613AaDEo/s200/110.gif" /&gt;&lt;/a&gt; Duvidar é transpor o limiar do caos e do desespero. Um homem desprovido de certezas, hamletiano por condição, não vê regularidade e ordem na Vida; e nessa desarmonia geral que é o Universo, ele só pode experimentar um sentimento de paralisia. Irremediavelmente perdido em miríades de interrogações, seus pensamentos formam como que um labirinto, e os caminhos de sua vida, uma interminável encruzilhada por onde não sabe se guiar; seu andar é vacilante, e sua fala, timbrada pela hesitação. Nos antípodas do homem convicto, que vê harmonia em tudo e cujas certezas trazem reconforto pela familiaridade com que o coloca com relação às coisas, o homem que duvida é, onde quer que esteja, um estrangeiro que deslegitima os códigos da existência. Errante por toda parte, portador de uma constante e profunda angústia, sem uma bússola capaz de orientá-lo, ele sofre por ter caído do paraíso das verdades, e está condenado à agonia da descrença por ter se servido da dúvida, o verdadeiro pomo proibido.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8486594831785070362-4138915062491348276?l=noxfioxdaxnavalha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noxfioxdaxnavalha.blogspot.com/feeds/4138915062491348276/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8486594831785070362&amp;postID=4138915062491348276&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486594831785070362/posts/default/4138915062491348276'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486594831785070362/posts/default/4138915062491348276'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noxfioxdaxnavalha.blogspot.com/2009/06/perdicao.html' title='PERDIÇÃO'/><author><name>Eduardo Navarrete</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01464280959156585941</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3TW4mg3des4/TOtSUi_NUiI/AAAAAAAAANQ/0AgO3ndMFjQ/S220/y7777.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_3TW4mg3des4/SkGvU-M1DFI/AAAAAAAAAFw/Ul9613AaDEo/s72-c/110.gif' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8486594831785070362.post-6031654227037536310</id><published>2008-09-18T13:18:00.000-03:00</published><updated>2009-10-31T02:23:38.005-02:00</updated><title type='text'>A VELHICE SOB O SIGNO DO CAPITAL</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_3TW4mg3des4/SNKArrm_5lI/AAAAAAAAAEY/0Y6N6c6j_Yk/s1600-h/80.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; FLOAT: left; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5247398003769075282" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_3TW4mg3des4/SNKArrm_5lI/AAAAAAAAAEY/0Y6N6c6j_Yk/s200/80.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; Os idosos de hoje devem invejar os de outrora. Até o nascer da sociedade moderna, burguesa, capitalista os indivíduos em idade avançada tinham uma posição significativamente mais privilegiada do que a que seus semelhantes (em termos de idade) têm na era de hegemonia do capital. Nos antigos meios sociais tradicionalistas, isto é, meios sociais que tinham como fonte de valores as tradições, os idosos eram depositários de saber e, ao mesmo tempo – já que saber e poder caminham de mãos dadas –, centros irradiadores de poder. Tida como signo de sabedoria e autoridade, sendo, por isso, tratada com dignidade e deferência, a velhice também era muito estimada e admirada. A companhia de um ancião era sempre requisitada e todos – até mesmo por se tratar de sociedades cuja principal forma de comunicação era a oralidade – se interessavam por ouvir seus relatos e narrativas. Mas com o despertar dos tempos modernos e a imposição de uma norma burguesa, a condição dos homens e mulheres de cabelos brancos e bengalas se degrada. A partir de então, eles são retirados do pedestal social e moral que ocupavam e são deslocados para uma posição diametralmente oposta. Destituídos da autoridade e do respeito que possuíam, no mundo contemporâneo, os homens envelhecidos só são dignos de indiferença, quando não de desprezo. Parece que perderam o halo especial que os distinguiam. Pois quem mais, em nossos dias, tem interesse ou paciência para ouvir seus sermões? Quem mais se curva diante de suas presenças? A reverência que a velhice inspirava antigamente, tem-se a impressão, que se transformou numa verdadeira ojeriza. Se no passado ninguém, provavelmente, se envergonhasse de dizer sua idade e, muito menos, quisesse deter a marcha inexorável dos anos, hoje nota-se um temor absurdo pelos cabelos brancos e pelas rugas, ao mesmo tempo em que se fabrica todo tipo de parafernália para promover o “rejuvenescimento”. Os chamados sinais da idade tornaram-se estigmas, e a palavra velho injúria grave. E razão dessa reviravolta toda, desse grande deslocamento na condição dos idosos - deslocamento que o próprio surgimento de uma instituição incumbida de seu recolhimento (asilo) denuncia - é que para o capital só tem valor aquilo que produz e aquilo que é novo. Não tendo mais todo aquele apego pelo que é tradicional, mesmo porque hoje as transformações se processam de modo demasiado rápido, nossa sociedade tem um apetite voraz e incessante pela novidade, apetite que só pode ser saciado por uma alta produtividade. Produzir o novo – parece que é isso o que importa em nossa época. Nessas circunstâncias, o indivíduo velho, que representa uma idade essencialmente improdutiva, não poderia ser definido por um termo melhor: inválido, ou seja, sem valor.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8486594831785070362-6031654227037536310?l=noxfioxdaxnavalha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noxfioxdaxnavalha.blogspot.com/feeds/6031654227037536310/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8486594831785070362&amp;postID=6031654227037536310&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486594831785070362/posts/default/6031654227037536310'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486594831785070362/posts/default/6031654227037536310'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noxfioxdaxnavalha.blogspot.com/2008/09/velhice-sob-o-signo-do-capital.html' title='A VELHICE SOB O SIGNO DO CAPITAL'/><author><name>Eduardo Navarrete</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01464280959156585941</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3TW4mg3des4/TOtSUi_NUiI/AAAAAAAAANQ/0AgO3ndMFjQ/S220/y7777.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_3TW4mg3des4/SNKArrm_5lI/AAAAAAAAAEY/0Y6N6c6j_Yk/s72-c/80.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8486594831785070362.post-8911224726341435032</id><published>2008-05-15T16:25:00.000-03:00</published><updated>2010-10-30T00:44:02.969-02:00</updated><title type='text'>O ETERNO RETORNO: UMA OUTRA MANEIRA DE ENCARAR A VIDA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_3TW4mg3des4/SCyQE3yqTkI/AAAAAAAAAAo/mq6iroBhG14/s1600-h/71.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; FLOAT: left; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5200690083076394562" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_3TW4mg3des4/SCyQE3yqTkI/AAAAAAAAAAo/mq6iroBhG14/s200/71.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Tempos atrás ouvi falar de um livro intitulado &lt;strong&gt;Acreditavam os gregos em seus mitos&lt;/strong&gt;? &lt;em&gt;Grosso modo&lt;/em&gt;, o autor, Paul Veyne, assegura que a palavra acreditar não possuía na antiguidade o mesmo significado que possui para nós modernos. Assim, acreditar nos mitos, que são uma forma de explicar o mundo, não queria dizer tomar como verdadeiras aquelas história fabulosas. Acreditar nos contos de Pandora, Prometeu, Sísifo, etc., significava, na verdade, crer nas mensagens que postulavam. Ora, a doutrina (ou mito) do eterno retorno criada por Nietzsche, que para mim pareceu, à primeira vista, tão absurda quanto a mitologia dos gregos antigos, talvez possa ser lida nesses mesmos termos.
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Pelo que imagino, para o filósofo alemão, tal doutrina diz que essa vida, tal como a vivemos agora, se repetirá por toda eternidade. Isto é, nós nascemos, crescemos, tomamos nossas decisões, fazemos nossas escolhas, morremos, e após nossa morte, nascemos novamente, e fazemos tudo exatamente da mesma maneira como fizemos em nossa vida anterior. E esse movimento se repetirá eternamente: “a eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez”. Mas não se trata, como poderia parecer, de revivermos a mesma vida, tendo a possibilidade de tomarmos decisões e fazermos escolhas diferentes das passadas, de uma forma que corrija nossos erros de outrora e aperfeiçoe aos poucos nossa existência. Ao contrário, a idéia do eterno retorno dá a entender, para desespero de muitos, que a vida que estamos conduzindo nesse momento se repetirá absolutamente do mesmo modo como está acontecendo, com todos nossos erros e acertos, com toda nossa grandeza e miséria, não havendo nela nada de novo. É como se estivéssemos vivendo e construindo nossa primeira vida, e como se as outras que irão sucedê-la para todo o sempre fossem meros &lt;em&gt;replays&lt;/em&gt; dela. Temos liberdade para fazermos da vida que levamos hoje o que mais nos apetecer; podemos escolher o caminho que mais nos agradar. Porém, nas infinitas vidas vindouras, não teremos mais tal liberdade e poder de escolha. Seremos obrigados a fazer tudo o que fazemos hoje; estaremos condenados a repetir tudo o que vivenciamos do ventre à sepultura. Da perspectiva do eterno retorno, portanto, viver nada mais é que construir o próprio destino, mas um destino que sempre volta.
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Tal idéia pode, evidentemente, provocar grande estranhamento e suscitar as mais diversas interpretações e especulações acerca de suas reais possibilidades. Contudo, a meu ver, a chave para compreendê-la não está em questionar a veracidade de seus fundamentos, isto é, questionar se realmente iremos viver a mesma vida &lt;em&gt;ad infnitum&lt;/em&gt;. Ainda que esteja respaldada em uma cosmologia, a doutrina do eterno retorno pode nos interessar apenas do ponto de vista das implicações e conseqüências que traz ao nosso agir cotidiano. Assim como os gregos antigos faziam com seus mitos, podemos crer no eterno retorno somente na medida em que ele nos traz uma mensagem. E, de fato, encarar a existência como um ciclo sem fim é algo que causa vertigens, e que pode operar uma profunda transformação em nosso comportamento e na maneira como concebemos a vida.
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A despeito de toda religiosidade apregoada, é regra em nossos dias, crermos que nossas vidas são finitas; que após nossa morte nos transformamos apenas em poeira ou alimentos para os vermes. Tal crença na finitude e na fugacidade da existência humana, só poderia a tornar completamente desprovida de sentido e levar a uma grande despreocupação com nossas ações. Se temos em mente que nossa vida é um acontecimento único, que ela nunca se repetirá, aquilo que fazemos ou deixamos de fazer aqui perde muito de sua importância. Como pensamos que a morte sela o fim de tudo, nossas escolhas, decisões e atos não têm muito peso: toleramos as coisas mais desagradáveis e detestáveis, do mesmo modo que deixamos de fazer as coisas que mais nos agradariam. Tudo sem muita ponderação, afinal de contas só acontecerá uma vez. Aqueles que vêem o mundo por esse prisma dizem “vai passar”, ou ainda, “já passou”. E essa visão linear da vida os faz suportar tudo, tornando seu agir bastante displicente. Como observou Milan Kundera em seu &lt;strong&gt;A insustentável leveza do ser&lt;/strong&gt;, "em um mundo fundado essencialmente sobre a inexistência do eterno retorno (...) tudo se encontra previamente perdoado”.
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Contudo, se abandonarmos essa concepção e enxergarmos a vida como um eterno repetir-se teremos, inevitavelmente, uma postura radicalmente distinta. Acreditar que tudo que fizermos aqui e agora sempre retornará da mesma maneira, conduz a uma extrema revalorização e reavaliação dos nossos atos e de nossas vidas. Ao vislumbrarmos o ciclo interminável da existência, somos fatalmente colocados, antes de qualquer ato, desde o mais ínfimo até o mais grandioso, diante das perguntas: será que eu quero fazer isso por toda eternidade? Será que tal escolha merece ser feita infinitas vezes? Tais indagações pesam como o mais pesado dos pesos sobre o nosso agir. O eterno retorno confere a cada gesto uma responsabilidade assustadora. Pois nossas ações deixam de ser coisas fugazes que acontecem uma só vez para transformarem-se em coisas eternamente repetíveis. Assim, cometermos erros e fazermos coisas desagradáveis e detestáveis hoje significa cometermos esses mesmos erros e fazermos essas mesmas coisas para sempre. Se tudo volta, sofremos as conseqüências de nossos atos eternamente. Por isso, os erros e os males perecem muito mais insuportáveis e imperdoáveis. Enquanto os crêem na finitude da vida dizem “vai passar”, os que abraçam o eterno retorno pensam “vai voltar”. E esse olhar cíclico os obriga construir uma vida prazerosa e satisfatória o suficiente para quererem vivê-la novamente.
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O eterno retorno de Nietzsche, então, parece ser um convite para se viver melhor. Convite que, longe de negar os sofrimentos e as misérias da vida, apenas sugere uma maneira diferente de &lt;strong&gt;encará-los&lt;/strong&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8486594831785070362-8911224726341435032?l=noxfioxdaxnavalha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://noxfioxdaxnavalha.blogspot.com/feeds/8911224726341435032/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8486594831785070362&amp;postID=8911224726341435032&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486594831785070362/posts/default/8911224726341435032'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486594831785070362/posts/default/8911224726341435032'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://noxfioxdaxnavalha.blogspot.com/2008/05/o-eterno-retorno-uma-nova-maneira-de.html' title='O ETERNO RETORNO: UMA OUTRA MANEIRA DE ENCARAR A VIDA'/><author><name>Eduardo Navarrete</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01464280959156585941</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3TW4mg3des4/TOtSUi_NUiI/AAAAAAAAANQ/0AgO3ndMFjQ/S220/y7777.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_3TW4mg3des4/SCyQE3yqTkI/AAAAAAAAAAo/mq6iroBhG14/s72-c/71.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry></feed>
